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El Niño atinge intensidade muito forte: veja como a NOAA mede o fenômeno e o que Minas prepara

A NOAA estimou 96% de chance de o El Niño continuar na categoria muito forte até janeiro de 2027

De acordo com o índice usado pelo Centro de Previsão Climática da NOAA, o fenômeno chegou a +2,0 °C entre agosto e outubro de 2026.

O El Niño atingiu a categoria muito forte. De acordo com o índice usado pelo Centro de Previsão Climática da NOAA, o fenômeno chegou a +2,0 °C entre agosto e outubro de 2026, valor que marca o início da faixa de maior intensidade da classificação. A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em Minas Gerais, o Governo do Estado já se organiza para enfrentar os possíveis impactos nos próximos meses.

Como a NOAA calcula a intensidade do El Niño

A NOAA acompanha quanto a temperatura da superfície do mar se afasta da média histórica na região chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Quanto maior o aquecimento em relação ao normal, mais intenso é o fenômeno.

O que é o RONI

O índice usado é o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI). Ele ajusta o desvio de temperatura da região Niño 3.4 levando em conta as temperaturas dos oceanos tropicais, o que remove o efeito do aquecimento global. Assim, mostra quanto aquela região do Pacífico está aquecida em relação ao conjunto dos trópicos.

Por que a análise usa três meses

A intensidade é avaliada pela média móvel de três meses consecutivos, e a janela avança um mês de cada vez. Depois de agosto–setembro–outubro, vem setembro–outubro–novembro. Essa média ajuda a acompanhar a persistência do aquecimento ao longo do tempo.

Quem é a NOAA

A NOAA (sigla em inglês para Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) é uma agência científica e regulatória do governo dos Estados Unidos, vinculada ao Departamento de Comércio. Entre as suas atribuições estão:

  • Previsão do tempo e meteorologia: emite alertas de tempestades, ondas de calor e secas e rastreia furacões com satélites e aviões “caçadores de furacões”.
  • Monitoramento climático e oceânico: acompanha fenômenos globais como o El Niño e estuda a temperatura dos oceanos, as calotas polares e a atmosfera.
  • Pesquisa e gestão marinha: atua na conservação de oceanos e costas, na pesca comercial e recreativa e na proteção de espécies marinhas ameaçadas.
  • Mapeamento e navegação: produz cartas náuticas e dados geodésicos usados na navegação marítima e aérea.
  • Clima espacial: monitora tempestades solares e seus efeitos em redes elétricas, satélites e telecomunicações.

O que vem pela frente

Na previsão publicada em outubro, a NOAA estimou 96% de chance de o El Niño continuar na categoria muito forte até o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027. Os efeitos sobre a chuva e a temperatura no Brasil variam conforme a região e a época do ano.

Minas Gerais se prepara para o fenômeno

O Governo de Minas, em articulação com órgãos estaduais e prefeituras, prepara ações para enfrentar um El Niño de alta intensidade, com maior potencial de atuação entre a primavera e o verão 2026/2027. Na terça-feira (20/10), a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) apresentou à imprensa as previsões para os próximos meses, os possíveis impactos no estado e as medidas em andamento.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial, o El Niño pode alterar ventos, bloquear frentes frias e potencializar eventos severos. Segundo a Cedec, o fenômeno está no pico de intensidade e só deve perder força a partir de abril de 2027, e há mais de 90% de chance de que ele chegue à escala chamada “super forte”. A orientação do órgão é de prevenção ativa: mapear cenários críticos em diferentes regiões antes que o impacto aconteça.

O coordenador estadual de Defesa Civil e chefe do Gabinete Militar do Governador (GMG), coronel Paulo Rezende, destacou o cenário desafiador, com possibilidade de eventos climáticos extremos.

Comitê estadual e capacitação

Em setembro, o Governo criou o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, por meio do decreto 49.283/2026, para integrar a atuação dos órgãos estaduais em prevenção, monitoramento e resposta. Coordenado pelo GMG, o grupo reúne as secretarias de Meio Ambiente (Semad), Agricultura (Seapa), Desenvolvimento Social (Sedese), Educação (SEE/MG), Saúde (SES-MG) e Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), além do Idene, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Cemig.

O objetivo é reduzir gargalos burocráticos e dar suporte direto aos municípios, com ações que vão da distribuição de água potável a comunidades afetadas pela seca ao monitoramento de riscos de inundação e deslizamentos.

A Cedec também capacitou mais de 830 agentes públicos, de mais de 230 cidades mineiras. Cabe aos municípios revisar planos de contingência para seca e temporais, estruturar brigadas contra incêndios, manter equipes de prontidão e fazer a drenagem e a limpeza urbana antes do pico das chuvas.

Monitoramento e alertas à população

O monitoramento é feito pelo Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec), na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. A sala de situação funciona 24 horas e cruza dados de satélites, radares, níveis dos rios e estabilidade de encostas. Com isso, emite relatórios diários e semanais para forças operacionais, concessionárias e prefeituras.

Os cidadãos podem receber alertas de chuva, granizo, enchentes, alagamentos e deslizamentos no celular. Basta enviar uma mensagem com o CEP para o número 40199. O serviço é gratuito.

Telefones de emergência:

  • 199: Defesa Civil
  • 193: Corpo de Bombeiros
  • 190: Polícia Militar
  • 192: Samu

A Defesa Civil recomenda não atravessar enxurradas, deixar a casa ao menor risco de desabamento e evitar contato com a água ou a lama de enchentes, que podem causar infecções graves, como a leptospirose.

Queimadas, calor e tempestades

Os reflexos do El Niño podem atingir os 853 municípios mineiros, desregulando o calendário de chuvas e elevando as temperaturas. De outubro a dezembro, a média de calor pode ser a mais alta dos últimos 30 anos.

  • Triângulo Mineiro, Noroeste, Norte e Central: maiores riscos de estiagem severa e calor extremo.
  • Região Metropolitana de Belo Horizonte e Zona da Mata: possibilidade de tempestades pontuais e intensas, com atenção a deslizamentos em áreas de encosta. A Zona da Mata já sofreu com fortes chuvas no início de 2026.

O Estado também monitora o abastecimento de água e a pressão sobre os reservatórios. Na agropecuária, veranicos podem prejudicar safras e causar perda de peso no gado. O setor energético e a infraestrutura merecem atenção diante de possíveis impactos nas hidrelétricas e de quedas de rede durante vendavais.

Fontes: Inmet e Governo de Minas

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